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NAU AO LÉU
Pela vida velejando Qual nau desgovernada, Um porto procurando De forma desesperada; Sob a bruma do tempo E das rajadas dos fatos, Lutando contra o vento Dos infortúnios desordenados. Sigo num inóspito viver Despido de qualquer esperança, Querendo sem querer, Vivendo da lembrança Do que nem sei o que...
Antonio Vieira e Silva Filho
Publicado no Recanto das Letras em 19/01/2008
Escrito por Antonio Vieira às 11h07
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AMOR SEM VENTRE

AMOR SEM VENTRE
Que as situações ocorram
em paz sofrida.
Que os sonhos morram
em felicidade morrida.
Que a serenidade
com força se instale
e a verdade
me fale:
- Sofrer é seu destino.
Amor? Jamais!
Esqueça o desatino.
Serás para sempre
com seus sonhos irreais
amor que nunca teve ventre.
Antonio Vieira
Escrito por Antonio Vieira às 10h41
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Escrito por Antonio Vieira às 20h06
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DECEPÇÃO

DECEPÇÃO
Pensei que fosses do sol, calor
que aqueceria meu frio coração,
ledo engano, pura decepção,
eras negra bruma carregada de dor.
Fria como um cadáver inerte
levastes-me à sepultura,
enterrastes-me junto ao verme
da solidão sem cura.
Com a alma corroída,
sigo com viver amargo,
esperando; quem sabe, a morte...
Sendo que a vida
com seu enorme fardo,
faz de mim um ser insorte.
Antonio Vieira 12/10/2007 às 20:30 hs.
Escrito por Antonio Vieira às 11h06
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Fênix
"Na índia vive um pássaro que é único: a encantadora fênix tem um bico extraordinariamente longo e muito duro, perfurado com uma centena de orifícios, como uma flauta. Não tem fêmea, vive isolada e seu reinado é absoluto. Cada abertura em seu bico produz um som diferente, e cada um desses sons revela um segredo particular, sutil e profundo. Quando ela faz ouvir essas notas plangentes, os pássaros e os peixes agitam-se, as bestas mais ferozes entram em êxtase; depois todos silenciam. Foi desse canto que um sábio aprendeu a ciência da música. A fênix vive cerca de mil anos e conhece de antemão a hora de sua morte. Quando ela sente aproximar-se o momento de retirar seu coração do mundo, e todos os indícios lhe confirmam que deve partir, constrói uma pira reunindo ao redor de si lenho e folhas de palmeira. Em meio a essas folhas entoa tristes melodias, e cada nota lamentosa que emite é uma evidência de sua alma imaculada. Enquanto canta, a amarga dor da morte penetra seu íntimo e ela treme como uma folha. Todos os pássaros e animais são atraídos por seu canto, que soa agora como as trombetas do último dia; todos aproximam-se para assistir o espetáculo de sua morte, e, por seu exemplo, cada um deles determina-se a deixar o mundo para trás e resigna-se a morrer. De fato, nesse dia um grande número de animais morre com o coração ensangüentado diante de fênix, por causa da tristeza que a vêem presa. É um dia extraordinário: alguns soluçam em simpatia, outros perdem os sentidos, outros ainda morrem ao ouvir seu lamento apaixonado. Quando lhe resta apenas um sopro de vida, a fênix bate suas asas e agita suas plumas, e deste movimento produz-se um fogo que transforma seu estado. Este fogo espalha-se rapidamente para folhagens e madeira, que ardem agradavelmente. Breve, madeira e pássaro tornam-se brasas vivas, e então cinzas. Porém, quando a pira foi consumida e a última centelha se extingue, uma pequena fênix desperta do leito de cinzas".
Publicado no blog do Paulo Nunes
Escrito por Antonio Vieira às 14h38
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VERSOS SEM A LETRA "A"
Cismo, em um ir sem rumo, busco sem denodo o equilíbrio sem ter comigo um prumo, sem ter com êle sofro. O porvir escuro consome o querer interno. Por muito q'eu me dome, escorrego num infinito inferno. Ínfimo, inócuo, é óbvio, estou só refletindo um solilóquio. Entrementes perto, surge luz num proscênio, é por certo, o florir do Terceiro Milênio
Antonio Vieira
Escrito por Antonio Vieira às 09h27
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DE VOLTA À SOLIDÃO

DE VOLTA À SOLIDÃO
Me perdoe querida afastar-me de ti, quis e, novamente a ferida alastrou-se; mostrou sua raiz.
Dona do meu ser me admoestou e até repreendeu. Mergulhado em ilusão, não queria ver. Inquiristes: -Não se arrependeu?
-E como! E quanto! Nas tentativas de fugir ... Só desilusão.
Com alguma mágoa e algum pranto, nesse ir e vir estou novamente em seus braços, solidão
| Antonio Vieira E Silva Filho. |
Escrito por Antonio Vieira às 09h56
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PERDA

PERDA
Perdi. Passaram-se anos e aos poucos meus sonhos foram entregues aos gusanos, fiquei só com pensamentos bisonhos. Perdido no emaranhado labirinto procurando o que perdi e sem bússola agora sinto, mostraram-me, mas não vi. Emocionais chagas me consomem e choro escondido como chora todo homem. Distante está a esperança e vendo tudo perdido choro tal qual uma criança.
Antonio Vieira e Silva Filho
Publicado no Recanto das Letras em 04/05/2007
Escrito por Antonio Vieira às 09h45
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PARADOXO
Não entendo às vezes o murmurinho que sempre escuto nos botecos, às vezes entendo o que vai pelas mentes em remoinho, alegria pelos filhos, quais bonecos, tristeza por não ter onde chegar, alegria por não ter que chegar, paradoxos por querer e não querer, amar, odiar e viver!
1995
Antonio Vieira e Silva Filho
Escrito por Antonio Vieira às 10h13
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UMBRAIS
Nos umbrais sombrios
do pseudoparaíso chamado Terra,
enfrentando caminhos frios
metamorfoseado em fera
sigo um seguir sinuoso,
como seguem os rios,
às vêzes calmo, às vêzes caudaloso
mas, sempre procurando
a alegria que está no salmo.
Onde olhar; como pisar?
As armadilhas estão a cada passo,
se escapo de uma delas,
a outra me espera a risar
trazendo mágoas e deixando sequelas
que matam todos sonhos meus
e, me quedo, me choro, me amargo
e irresponsávelmente entrego tudo a Deus.
Antonio Vieira 1993.
Escrito por Antonio Vieira às 10h12
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ANGÚSTIA
Vejo à frente: Lúgubres, tenebrosas, a continuidade das vidas amargas, galopantes, lerdas, rápidas, morosas idéias sem paz, esporas nas ilhargas.
A angústia cresce desmedida nesta ânsia atroz em que vejo a descida, sob o cutelo do insensível algoz.
Luto enlutado, temeroso ao sentir que as fôrças se esvaem em um não moroso...
Se esvaindo idéias e atos, sem querer lavo as mãos, sem querer, como Pôncio Pilatos
Antonio Vieira E Silva Filho.
Escrito por Antonio Vieira às 10h11
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POEMA A DOIS
No calor do entardecer esperando o frio da noite. ...Não houve. Que fazer? Se um gesto impensado de repente acontecer, ressuscitará corpos talvez sem almas, insensíveis, porém à procura do amor às vezes inatingível, incoerente, mas válido e puro em altos e baixos num atroz equilíbrio tentam achar o rumo que não se apresenta, calando vozes, despertando ouvidos que nem sempre ouvem o que querem e quietos, quase sempre aceitam o que a vida lhes impõe.
Rosana Temoteo e Antonio Vieira. 2006.
Publicado no Recanto das Letras em 11/04/2007
Escrito por Antonio Vieira às 10h10
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VÔO
Vôo
Voando vou,
vejo, vendo, viajando
sou ou estou suado,
suado sou!
Onde o Tejo?
Não há água,
reprimo a sede!
Vou!
Quem sabe o Danúbio?
Ou, quem sabe
quiçá encontrarei
o rio das mortes!
Mas vou!
Morro!
Mas,
terei a vida!
Antonio Vieira
Escrito por Antonio Vieira às 10h09
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